Tentei ao máximo evitar, neste “blog”, tocar em assuntos mais concretos ligados ao jornalismo. Não foi possível uma vez que, depois de uma conversa mais formal, era inevitável fazê-lo.
O jornalismo apresenta-se hoje, em tempos difíceis que podem levar a mudanças estruturais históricas, como uma das valências mais importantes na luta pela liberdade e justiça social em qualquer nação que se assuma, ou queira assumir, como democrática.
Não é possível existir democracia sem que primeiro exista uma divulgação permanente de informação livre e sobre os mais diversos assuntos. O contrário confunde-se rápida e avassaladoramente com manipulação por quem de direito e, uma vez que o ser humano se sente bem com o poder, a manipulação leva a um controlo geral, a um monopólio ditatorial.
No fundo o jornalismo é hoje o expoente máximo do pensamento do filósofo germânico Emmanuel Kant: “Pensa por ti mesmo, só assim serás livre”. Imagine-se agora uma sociedade sem jornalismo e os parágrafos acima estão mais que justificados através da Teoria do Iluminismo.
É verdade que os órgãos de Comunicação Social, regra geral, são na actualidade controlados por grupos com interesses diversos que, de algum modo, tentam influenciar a opinião pública, destacando os pontos positivos dos seus domínios, salvaguardando sempre aquilo que lhes interessa.
Aqui entramos na questão da ética e deontologia; Cabe aos profissionais lutar pela sua profissão e pela livre e correcta circulação dos conteúdos que divulgam e cabe ainda, aos cidadãos, participar activamente na sociedade, aproveitando as características próprias do jornalismo, para que, sozinhos, possam formar opiniões que contribuam positivamente para o exercício diário da democracia.
A ligação de boa parte da comunicação social a grupos económicos, tem criado por vezes o sentimento de que o jornalismo é apenas um exercício que visa proteger interesses monetários através da manipulação das massas.
Bons e maus profissionais existem em todas as áreas. Logo, não se deve acreditar piamente em tudo o que se lê, vê e/ou ouve na Comunicação Social; É preciso confirmar os assuntos e ganhar confiança nas publicações dos profissionais que todos os dias circulam nos diversos meios. Este exercício só se consegue através da filtragem resultante da prática e contacto diários com a informação. O grande problema é que, no caso português, o único que aqui se destaca, tal exercício é poucas vezes praticado, ficando a sociedade à mercê das ditas elites.
De facto, custa a acreditar que uma Nação que há mais de V séculos teve “open mind” suficiente para se aventurar na procura de novas terras, na tentativa de expandir os seus horizontes e retirar novas aprendizagens do contacto com outras culturas, seja hoje uma das mais estagnadas e menos interventivas em termos globais.
Não vale a pena continuar à espera do regresso de “el rei”, até porque o nevoeiro já provou que ele não vai voltar.
BdR.