26
Mai 13
publicado por aipotu, às 04:39link do post | comentar

 

Falou-se menos esta semana da entrevista do pai de Pedro Passos Coelho ao I do que da entrevista de Miguel Sousa Tavares ao Jornal de Negócios. Para quem tenha andado mais distraído com a final da Liga dos Campeões, transferência de João Moutinho para o Mónaco, Big Brother VIP e Splash Famosos, relembro que António Passos Coelho disse que o filho estava “morto” por se ver livre da posição que ocupa como Primeiro-Ministro, enquanto que Sousa Tavares apelidou Cavaco Silva de “palhaço”.
 

Compreendo que apelidar a figura institucional mor da nação de algo (relativamente) injurioso tenha de ser devidamente assinalado, sobretudo depois de Cavaco ter afiançado que as palavras de Sousa Tavares vão ser analisas, mas a outra entrevista é que me parece realmente preocupante. Fazendo fé que o pai do Primeiro-ministro sabe do que fala, se Passos Coelho está realmente a desesperar para sair do Governo, sinceramente não sei o que vai ser das pessoas que já vivem, umas no limiar e outras de facto, na miséria. É que o país está de rastos e se o Primeiro-Ministro em funções e restante comitiva estão desanimados, quem é que vai ter tempo, vontade e determinação para se debruçar, preocupar e resolver os problemas que afectam brutalmente todos os portugueses?


Costuma dizer-se que a determinação varia consoante os valores e a cultura onde está inserido. Pode ser esse o nosso problema ou, no caso, o de Passos Coelho. De facto, se olharmos de frente e com a devida atenção para um cidadão japonês, de uma cultura manifestamente diferente da nossa, compreendemos que a ambição dele é, assim dita a cultura e a tradição do seu país, ser o melhor profissional entre todos os seus colegas e concorrentes, mas se, por outro lado, nos debruçarmos sobre o comportamento de um português que ainda habite em Portugal, rápida e vertiginosamente concluímos que ele só queria ter um emprego. Bem sei que de Lisboa a Tóquio vai uma distância sobejamente superior àquela que existe entre a saúde das finanças portuguesas quando comparada, por exemplo, com a alemã, mas não deixa de ser, ainda assim, interessante verificar que um japonês quer ser o melhor naquilo que faz enquanto que um português concentra esforços na tentativa de angariação de um posto de trabalho.


Em suma, se o problema for de facto cultural, de pouco valerá remendar as finanças. Daqui por uns anos regressamos ao mesmo. Também não me parece, sinceramente, que valha a pena o esforço de enviar Seguro ao Japão em estágio. Se o futuro de Portugal passar por ali, então não será futuro, mas sim mais passado.

Creio que se conseguíssemos parar de ser corruptos, se deixássemos de jeitinhos e cunhas à desgarrada e tivéssemos mais disciplina e meritocracia naquilo que fazemos, dávamos um passo gigante rumo ao sucesso. Afinal de contas, nós já aderimos só sushi. É só continuar a aproveitar o que de bom existe lá fora e copiar apenas os exemplos certos.

 

BdR


04
Mar 13
publicado por aipotu, às 06:16link do post | comentar


Existem duas formas de analisar a crise portuguesa: A política e a social. Se analisarmos a política, compreendemos que ela não é portuguesa mas sim mundial e concluímos, rapidamente, que o sul da europa é apenas a asa mais frágil de uma União que, desunida, fica agora à mercê da vontade de Berlim que, historicamente, apenas se une a si mesma. Mas se analisarmos a crise de um ponto de vista social, concluímos que Lisboa se transformou na filial de uma firma chamada Portugal.

 

Numa empresa, um gestor tem a responsabilidade de olhar para números e descobrir uma fórmula que permita manter sempre o seu negócio lucrativo. Quando assim não é, ele tem de defender os interesses dos seus accionistas e, como tal, corta na despesa - despede funcionários ou reduz salários, diminui orçamentos nos vários departamentos e corta na investigação, etc - a fim de garantir o chamado ponto de equilíbrio económico, o momento em que a despesa e os lucros se igualam, passando o produto a ser rentável. E isto é exactamente o que está a acontecer com Portugal. Quando uma empresa decide cortar no orçamento, tradicionalmente começa pelo Marketing e pelas suas demais áreas funcionais. Na política portuguesa isso chama-se Saúde, Estado Social e funcionários públicos. E a receita é igual em todos os países intervencionados pelo FMI o que, de forma assustadora, faz concluir que o capitalismo está a evoluir para uma nova liberalização de mercado: aquela que de tão liberal que é anula já a soberania de Estados e permite até que Estados não democráticos ou sequer capitalistas (africanos e asiáticos) passem a controlar algumas das principais empresas europeias e a dívida soberana dos Estados Unidos da América.

 

Isto tudo, porque um “pequeno” banco decidiu especular até à exaustão, ultrapassando largamente a curva de risco sustentável – aquela que define os limites máximos sustentáveis de endividamento de uma empresa – ganhando ao longo de vários anos milhares de milhões de euros com as suas operações bolsistas. Estou a falar do Goldman Sachs que, para quem não sabe, é o maior banco não comercial do planeta e vale 700 mil milhões de euros, que é o dobro do orçamento de França, por exemplo. Este banco de origem norte-americana não tem uma sede oficial, não tem logotipo e apenas trabalha para clientes muito específicos, como países ou empresas como a BP ou a Microsoft.

 

A receita especulativa que o Goldman Sachs criou com os seus pacotes de activos bolsistas era de tal forma rentável, que todo o mercado financeiro decidiu imitá-los ou comprar os pacotes do Goldman Sachs. Em suma, toda a gente especulou de tal forma que um dia o mercado acordou e todos perceberam que os seus activos financeiros já tinham um risco maior do que o valor total das suas próprias empresas. Resultado: falência. Excepção para a Goldman Sachs que entendeu primeiro o que se passava e vendeu os seus activos, que eram tóxicos, mas que o mercado ainda não sabia serem tóxicos a quem os quis comprar. No dia a seguir acordámos todos com a falência do maior banco comercial dos Estados Unidos e o resto… o resto é história.

 

BdR


27
Jun 12
publicado por aipotu, às 02:33link do post | comentar

 

Um dia José Saramago escrevia assim: Nunca jogues as peras com o destino que ele dá-te as verdes e come as maduras. O título do livro em que o Nobel português escrevia fez jus as varias politicas conduzidas durante demasiados anos, por demasiados políticos em demasiados casos.

 

Portugal sofreu o síndrome típico e clássico de qualquer Estado que passa, abrupta, inesperada e em breves momentos sem preparação, de um regime fechado em si mesmo, sem liberdade e com uma economia quase feudalista a outro, cheio de liberdade, boas intenções e onde o capitalismo passa a vigorar como a certeza de prosperidade para todos aqueles que antes não podiam estudar, almejar um emprego de escritório ou uma televisão a cores e farta comida na mesa.

 

Nessa época, no pós 25 de Abril, Portugal transformou-se num El Dorado interno, tendo em Lisboa a pepita mais preciosa e invejável. O Estado, que antes ignorava, passou a proteger os cidadãos garantindo-lhes Saúde, Ensino ou Cultura gratuitos e proporcionando, assim, reais capacidades para todos puderem alcançar o Portuguese Dream.

 

O Estado empregava, o Estado protegia e ajudava os mais desfavorecidos e o Estado era o pai, a mãe e os avos de todos os seus filhos e netos. Incluindo todos aqueles que regressavam de antigos terrenos entregues aos nativos dessas regiões.

 

De 1974 a 2012 aprendemos que pouco se soube aprender com o exemplo de prosperidade, o que acaba por ser irónico na medida em que hoje é fácil e ate recorrente denominar as áreas das ciências sociais, as que estudam tais matérias, como dispensáveis do Ensino pela sua falta de empregabilidade. Aquilo que os sucessivos governantes portugueses foram esquecendo é que compreender o passado é fulcral para analisar o presente e entender o futuro. Os ingleses vivem assim desde sempre com o sucesso e estabilidade que lhes são, salvo raras excepçoes em tao vasta historia, reconhecidos.

 

Dessa forma o Estado gastou o que tinha. Primeiro fê-lo em prol de uma carência que a ditadura prolongou por demais, o que se compreende numa primeira fase, e depois talvez o tenha feito por acomodação, comodismo e/ou facilitismo. Quando o Estado deixou de ter o que gastar a Europa chegou-se a frente e os loucos anos 90 continuaram. E quando o Estado deixou de ter o que gastar do que a Europa lhe havia emprestado começaram os loucos anos 2000.

 

Agora pagamos todos a factura de tao leviana forma de vida e chamamos-lhe Troika, ou trium viriato no caso de Paulo Portas.

 

BdR


26
Jun 12
publicado por aipotu, às 03:16link do post | comentar
Em Portugal albergam-se actualmente dois tipos de pensamentos: os relacionados com a crise e os de cariz financeiro. Na realidade o problema é o mesmo mas a palavra crise já criou uma imagem de marca e o grosso da população entende que crise é crise e finanças é outra coisa.

Fala-se muito em mercados, em agências de notação, em termos económicos tais como estagnação ou boletins orçamentais. Qualquer noticiário, jornal ou síntese radiofónica português fala hoje mais de tutelas de Finanças estrangeiras do que em Vítor Gaspar. A Grécia inunda hoje o dia-a-dia de Lisboa de tal ordem que qualquer pessoa atenta sabe já umas palavras em grego só de ouvir o noticiário. Seria interessante verificar um vox-pop daqueles que a Sábado as vezes faz, questionando as pessoas sobre este tipo de coisas....

No futebol confunde-se desporto com guerra fria e todos os jornais, incluindo os ex aliados franceses de Sarkozy, tentaram reeditar no Alemanha vs Grécia a epopeia dos 300 espartanos emprestando, ironicamente, qualquer coisa aos gregos.

Qualquer português sabe hoje que esta em crise, que se vivem tempos difíceis onde a contenção é basilar e elementar. O que a maioria dos cidadãos nacionais desconhece é que tudo isso significa menos dinheiro, menos possibilidades de futuro e a hipoteca nacional por várias décadas e entidades estrangeiras. No fundo estar em crise acaba por ser simpático. Pois se a maioria dos jovens que continuam a frequentar cursos universitários sem possibilidades de sucesso tivesse a noção daquilo a que vai seria mais locus horrendus. Para além disso, se Portugal fosse uma região onde a crise fosse uma crise financeira duvido seriamente que não fosse feito aqui aquilo que já foi feito na única região do globo que ate agora conseguiu compreender que estava em crise financeira: a Islândia.

Em Portugal não: aqui podemos ser todos corruptos internamente, mas la fora honramos os nossos compromissos com a Troika. Por ca podemos todos tentar o nosso tacho na politica, ainda que tenhamos zero qualidades para ser deputados ou outra coisa qualquer que de garantias financeiras. Mas la fora honramos os nossos compromissos. Isso é que é importante enquanto a classe média tiver dinheiro para suportar austeridade.

Não interessa se o Serviço Nacional de Saude deixar de fazer jus ao próprio nome. Tampouco é relevante se o desemprego aumenta ou se os mais qualificados jovens de sempre deste pais vão dar o seu contributo intelectual a outros povos. E sabe o leitor porque? Porque la fora honramos os nossos compromissos. De gravata, fato Armani e Mercedes SLS. Tudo isto porque a União Europeia é isso mesmo: livre circulação. E nos honramos os nossos compromissos com estilo. E se correr mal vamos tirar finalmente um curso em Paris. Com estilo pois Paris é Paris.

BdR

01
Ago 11
publicado por aipotu, às 00:29link do post | comentar

A confirmação foi dada pelo próprio presidente do Sporting, Godinho Lopes, que anunciou hoje que o clube de Alvalade está no mercado para a aquisição de uma nova equipa que possa lutar pelo título português na próxima época.

“Esta equipa afinal não cumpria os requisitos que a grandeza do Sporting exige”, anunciou, algo irritado, Luís Godinho Lopes. O recém-eleito presidente leonino afirmou ainda que Domingos deverá deixar o comando técnico verde e branco e que Paulo Futre irá ocupar a vaga de Carlos Freitas como director desportivo.
 

Logo de seguida, Paulo Futre anunciou estar em negociações com o Tibete para a aquisição do Dalai Lama daquela nação agora comandada por Pequim.

“Só um milagre pode salvar o Sporting. A outra hipótese era o clube ter um staff competente e dinheiro para investir numa equipa a sério que conseguisse, concentradíssima, lutar a sério pelo título. Como isso não é possível vamos contratar o Papa do Tibete”, referiu Futre, antes de mandar calar meia dúzia de sócios presentes na conferência de imprensa a perturbar o anúncio da nova ideia do antigo internacional português.


19
Mai 11
publicado por aipotu, às 12:25link do post | comentar

 



Dublin, na Irlanda. Porto e Braga. Na Colômbia, Brasil e Argentina. Foi assim que ontem duas equipas portuguesas conseguiram a proeza de estragar a inédita e tremendamente histórica final europeia a disputar por dois clubes portugueses.

 

No final do encontro – o Porto venceu a Liga Europa por 1-0 com golo do inevitável Falcão – os jogadores azuis e brancos protagonizaram os habituais festejos, próprios e justos a uma equipa que acabava de vencer uma competição europeia. O que se estranhou - e continua a fazer espécie um pouco por toda a imprensa ibérica e até alguma francesa - é que durante as celebrações de um jogo entre duas equipas portuguesas existissem, no relvado, bandeiras de tudo o que era País menos um: Portugal.

 

Dos 22 jogadores seleccionados para o 11 de cada equipa, existiam em campo 4 portugueses (Sílvio, pelo Braga, Moutinho, Varela e Rolando pelo Porto). Os restantes eram sul-americanos, africanos ou leste europeus. Bandeiras, no final do jogo e para festejar a vitória, eram várias: colombianas, brasileiras ou argentinas. E até uma de Cabo Verde, hasteada por Rolando, o tal que entrava na lista dos 4 portugueses em campo e que até joga pela selecção nacional portuguesa.

 

Portuguesas era como irlandeses na noite desportiva de Dublin. Zero.

 

Veja o vídeo com os festejos dos jogadores do Porto após final do encontro

 

 


18
Mai 11
publicado por aipotu, às 11:49link do post | comentar

 

Portugal já precisava de um novo reality show. O Último a Sair é a lufada de ar fresco de que carecíamos intensamente para esquecer as dores da crise e aquelas, menos suaves e mais periclitantes, a que somos sujeitos com as sucessivas intervenções públicas do “candidato José Sócrates”, principalmente quando é interpelado pelo sempre vigoroso Paulo Portas, que assina com a Troika mas recusa assumir-lhe o nome, optando pelo cor-de-rosinha triunvirato.

O Último a Sair mais não é do que um programa de cariz cómico, apresentado e representado por pessoas sem grande interesse intelectual e sem temas de igual intensidade introspectiva. Composto por alguns comediantes, um ou outro actor a sério e outros que representam sem o serem, o programa da RTP conta ainda com a participação de uma gorda – daquelas mesmo obesas – e algumas meninas semi-nuas e com conta aberta em clínicas de aumento de produção física. Para além disso, tem um palhaço. Declarada e literalmente. No programa, participa ainda Roberto Leal.

A única diferença entre este reality show e os demais, é que este goza com os restantes, ao passo que os restantes gozam, cada um, consigo mesmo.


Veja o vídeo do melhor momento da estreia do programa.



12
Mai 11
publicado por aipotu, às 02:44link do post | comentar
Em Portugal existe hoje uma espécie de desconfiança geral, política e nos políticos, mesmo antes desta actuar ou destes abrirem a boca. Os políticos não acreditam nos outros políticos, a Política toma medidas que não têm resultado, o eleitorado bate recordes de abstenção eleição após eleição e fomos o primeiro País a agraciar o FMI pela sua presença, sob pena de não conseguirmos gerir os nossos destinos de outra forma. É fácil bater na classe Política portuguesa actual. O estado a que chegou o Estado nem deixa, de facto, muita argumentação. Os próprios políticos não fazem muito para tentarem credibilizar a sua classe. O dia em que Sócrates anunciou publicamente as ligeiras medidas do “bom acordo” alcançado com a Troika internacional, ou o dia em que Passos Coelho acusou o Primeiro-Ministro cessante de ser “uma espécie de terrorista político” pouco ajudam. E são apenas dois exemplos. O mais grave de tudo isto é que, analisando o legado filosófico que a ainda curta República Portuguesa representa, os políticos que dela se sustentam existem para servir o povo. E era isso que os portugueses esperavam numa altura em que vivem a mais negra conjuntura financeira dos últimos 80 anos. Quando Passos Coelho ou Paulo Portas dizem que não governam com o PS e ao mesmo tempo os socialistas aparecem nas sondagens em empate técnico com o PSD, isso não só é preocupante como não serve os interesses do povo. Da mesma forma, quando Bloco de Esquerda e PCP decidem ficar de fora das negociações com a Troika mesmo sabendo que isso não impedirá a aprovação de um acordo, não servem pelo menos os interesses do seu eleitorado. O PS, por sua vez, também não estará a servir o País quando o seu líder e candidato a chefe do Executivo fala no tal “bom acordo”, sem explicar onde é que Portugal arranjará capacidade económica para crescer 5% ao ano (taxa de juro a pagar pelos 78 mil M€ de empréstimo) quando há cerca de uma década que não o faz. Básica e sucintamente continuam, os partidos, a pensar exclusivamente em votos sem colocarem o interesse nacional em primeiríssimo plano. Portugal neste momento não pode viver de medidas populistas, demagógicas ou eleitoralmente funcionais. É imperativo que haja união partidária entre as demais forças com assento parlamentar para que, eventualmente, se consiga desembarcar desta espécie de cruzeiro encalhado no cais. A política necessita não só de união como de credibilidade. A união depende dos políticos. A credibilidade do que eles fizerem. Portugal depende do que sair do meio destas duas premissas.

08
Jul 10
publicado por aipotu, às 01:25link do post | comentar

Tenho seguido com particular atenção as edições diárias, em papel, do New York Times. Admito que o faço mais por via das minhas necessidades e responsabilidades profissionais do que por via de um estímulo pessoal que me leve a ler o periódico norte-americano.

 

Recentemente tive uma discussão mais ou menos acesa com um amigo com quem tenho o prazer de trabalhar e privar. Falávamos sobre o facto de a mais recente edição dos Pullitzer, os prémios mais prestigiados e importantes na área de jornalismo em todo o Mundo, terem distinguido em grande escala o jornal nova iorquino e também o Washington Post.

 

Discutíamos não só o facto óbvio de serem dois jornais norte-americanos, mas também a capacidade financeira dos dois órgãos, que contam, per si, com numerosos repórteres nos quatro cantos do Mundo. Para além de muitos, os dois jornais têm alguns dos melhores e mais conceituados jornalistas da actualidade.

 

De facto, analisando assim, é fácil entender que recebam, praticamente todos os anos, vários Pullitzers. Mas entendo agora a verdadeira razão pela qual são dois periódicos tão conceituados e premiados.

 

O Post é um jornal mais virado para a “Real Politic” norte-americana. Os seus destaques de capa, pelo menos o principal, é quase sempre um assunto relacionado com as intervenções bélicas norte-americanas, sendo, naturalmente, destacados os casos do Iraque e Afeganistão.Quando assim não é, normalmente “as gordas” apresentam informação sobre os mais importante assuntos a tratar na Casa Branca.

 

Já o NY Times é um jornal que apresenta, diariamente, duas edições em papel pagas, a de Nova Iorque e a global. E é precisamente aqui, na edição global do NY Times, que encontro o verdadeiro jornalismo.

 

Eles não são os melhores porque alguém se lembrou de assim os considerar. Não. Eles são os melhores porque simplesmente fazem jornalismo. Dão as chamadas noticias de Estado, aquelas que afectam a vida de todos e que todos devem querer saber, mas executam na perfeição o papel de jornalismo de cidadania, aquele que tem o poder de alertar a sociedade perante os factos mais alarmantes. Sim, estamos a falar do jornalismo cada vez mais esquecido em Portugal.

 

Alguém ainda se lembra da tragédia do Haiti? Pois bem, o NY Times trazia ontem em manchete um alerta para o facto existirem ainda mais de seis milhões de desalojados que vivem em miséria extrema. Diz o Times de Nova Iorque que se fala muito em ajuda humanitária às vitimas mas que os dados não enganam.

 

Isto é um apenas um exemplo dos vários e vários assuntos semelhantes que o NY Times aborda diariamente. Merecem cada prémio. Eu, embora seja apenas jornalista residual actualmente, consigo encontrar nestas abordagens jornalísticas felicidade e orgulho por um dia ter optado por esta profissão.

 

Merecem todos os prémios.


07
Jun 10
publicado por aipotu, às 11:53link do post | comentar

A Lei portuguesa passou a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo desde o dia 7 de Junho de 2010. Nesse mesmo dia, pouco depois das 9:30 da manhã, Teresa Pires e Helena Paixão ficaram para a história como o primeiro casal homossexual a dar o nó em solo português.

 

Foi no Registo Civil de Lisboa, mais concretamente na 7ª Conservatória, que as duas mulheres, juntas há mais de 8 anos e com duas filhas de casamentos heterossexuais anteriores, deram o nó.

 

Se por um lado o Primeiro-Ministro, José Sócrates, elogiou aqueles que lutaram pelo casamento gay, afirmando à imprensa que a lei agora oficializada "estende a mão a todos e pretende reparar injustiças", por outro, a Igreja contrinua a condenar não só a autorização de Lisboa para que pessoas do mesmo sexo possam contrair matrimónio, bem como a Lei recente que legalizou o aborto em Portugal.

 

 

 


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