12
Mai 11
publicado por aipotu, às 02:44link do post
Em Portugal existe hoje uma espécie de desconfiança geral, política e nos políticos, mesmo antes desta actuar ou destes abrirem a boca. Os políticos não acreditam nos outros políticos, a Política toma medidas que não têm resultado, o eleitorado bate recordes de abstenção eleição após eleição e fomos o primeiro País a agraciar o FMI pela sua presença, sob pena de não conseguirmos gerir os nossos destinos de outra forma. É fácil bater na classe Política portuguesa actual. O estado a que chegou o Estado nem deixa, de facto, muita argumentação. Os próprios políticos não fazem muito para tentarem credibilizar a sua classe. O dia em que Sócrates anunciou publicamente as ligeiras medidas do “bom acordo” alcançado com a Troika internacional, ou o dia em que Passos Coelho acusou o Primeiro-Ministro cessante de ser “uma espécie de terrorista político” pouco ajudam. E são apenas dois exemplos. O mais grave de tudo isto é que, analisando o legado filosófico que a ainda curta República Portuguesa representa, os políticos que dela se sustentam existem para servir o povo. E era isso que os portugueses esperavam numa altura em que vivem a mais negra conjuntura financeira dos últimos 80 anos. Quando Passos Coelho ou Paulo Portas dizem que não governam com o PS e ao mesmo tempo os socialistas aparecem nas sondagens em empate técnico com o PSD, isso não só é preocupante como não serve os interesses do povo. Da mesma forma, quando Bloco de Esquerda e PCP decidem ficar de fora das negociações com a Troika mesmo sabendo que isso não impedirá a aprovação de um acordo, não servem pelo menos os interesses do seu eleitorado. O PS, por sua vez, também não estará a servir o País quando o seu líder e candidato a chefe do Executivo fala no tal “bom acordo”, sem explicar onde é que Portugal arranjará capacidade económica para crescer 5% ao ano (taxa de juro a pagar pelos 78 mil M€ de empréstimo) quando há cerca de uma década que não o faz. Básica e sucintamente continuam, os partidos, a pensar exclusivamente em votos sem colocarem o interesse nacional em primeiríssimo plano. Portugal neste momento não pode viver de medidas populistas, demagógicas ou eleitoralmente funcionais. É imperativo que haja união partidária entre as demais forças com assento parlamentar para que, eventualmente, se consiga desembarcar desta espécie de cruzeiro encalhado no cais. A política necessita não só de união como de credibilidade. A união depende dos políticos. A credibilidade do que eles fizerem. Portugal depende do que sair do meio destas duas premissas.

De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



arquivos
pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO