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Jun 12
publicado por aipotu, às 02:33link do post | comentar

 

Um dia José Saramago escrevia assim: Nunca jogues as peras com o destino que ele dá-te as verdes e come as maduras. O título do livro em que o Nobel português escrevia fez jus as varias politicas conduzidas durante demasiados anos, por demasiados políticos em demasiados casos.

 

Portugal sofreu o síndrome típico e clássico de qualquer Estado que passa, abrupta, inesperada e em breves momentos sem preparação, de um regime fechado em si mesmo, sem liberdade e com uma economia quase feudalista a outro, cheio de liberdade, boas intenções e onde o capitalismo passa a vigorar como a certeza de prosperidade para todos aqueles que antes não podiam estudar, almejar um emprego de escritório ou uma televisão a cores e farta comida na mesa.

 

Nessa época, no pós 25 de Abril, Portugal transformou-se num El Dorado interno, tendo em Lisboa a pepita mais preciosa e invejável. O Estado, que antes ignorava, passou a proteger os cidadãos garantindo-lhes Saúde, Ensino ou Cultura gratuitos e proporcionando, assim, reais capacidades para todos puderem alcançar o Portuguese Dream.

 

O Estado empregava, o Estado protegia e ajudava os mais desfavorecidos e o Estado era o pai, a mãe e os avos de todos os seus filhos e netos. Incluindo todos aqueles que regressavam de antigos terrenos entregues aos nativos dessas regiões.

 

De 1974 a 2012 aprendemos que pouco se soube aprender com o exemplo de prosperidade, o que acaba por ser irónico na medida em que hoje é fácil e ate recorrente denominar as áreas das ciências sociais, as que estudam tais matérias, como dispensáveis do Ensino pela sua falta de empregabilidade. Aquilo que os sucessivos governantes portugueses foram esquecendo é que compreender o passado é fulcral para analisar o presente e entender o futuro. Os ingleses vivem assim desde sempre com o sucesso e estabilidade que lhes são, salvo raras excepçoes em tao vasta historia, reconhecidos.

 

Dessa forma o Estado gastou o que tinha. Primeiro fê-lo em prol de uma carência que a ditadura prolongou por demais, o que se compreende numa primeira fase, e depois talvez o tenha feito por acomodação, comodismo e/ou facilitismo. Quando o Estado deixou de ter o que gastar a Europa chegou-se a frente e os loucos anos 90 continuaram. E quando o Estado deixou de ter o que gastar do que a Europa lhe havia emprestado começaram os loucos anos 2000.

 

Agora pagamos todos a factura de tao leviana forma de vida e chamamos-lhe Troika, ou trium viriato no caso de Paulo Portas.

 

BdR


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