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Mai 13
publicado por aipotu, às 04:39link do post | comentar

 

Falou-se menos esta semana da entrevista do pai de Pedro Passos Coelho ao I do que da entrevista de Miguel Sousa Tavares ao Jornal de Negócios. Para quem tenha andado mais distraído com a final da Liga dos Campeões, transferência de João Moutinho para o Mónaco, Big Brother VIP e Splash Famosos, relembro que António Passos Coelho disse que o filho estava “morto” por se ver livre da posição que ocupa como Primeiro-Ministro, enquanto que Sousa Tavares apelidou Cavaco Silva de “palhaço”.
 

Compreendo que apelidar a figura institucional mor da nação de algo (relativamente) injurioso tenha de ser devidamente assinalado, sobretudo depois de Cavaco ter afiançado que as palavras de Sousa Tavares vão ser analisas, mas a outra entrevista é que me parece realmente preocupante. Fazendo fé que o pai do Primeiro-ministro sabe do que fala, se Passos Coelho está realmente a desesperar para sair do Governo, sinceramente não sei o que vai ser das pessoas que já vivem, umas no limiar e outras de facto, na miséria. É que o país está de rastos e se o Primeiro-Ministro em funções e restante comitiva estão desanimados, quem é que vai ter tempo, vontade e determinação para se debruçar, preocupar e resolver os problemas que afectam brutalmente todos os portugueses?


Costuma dizer-se que a determinação varia consoante os valores e a cultura onde está inserido. Pode ser esse o nosso problema ou, no caso, o de Passos Coelho. De facto, se olharmos de frente e com a devida atenção para um cidadão japonês, de uma cultura manifestamente diferente da nossa, compreendemos que a ambição dele é, assim dita a cultura e a tradição do seu país, ser o melhor profissional entre todos os seus colegas e concorrentes, mas se, por outro lado, nos debruçarmos sobre o comportamento de um português que ainda habite em Portugal, rápida e vertiginosamente concluímos que ele só queria ter um emprego. Bem sei que de Lisboa a Tóquio vai uma distância sobejamente superior àquela que existe entre a saúde das finanças portuguesas quando comparada, por exemplo, com a alemã, mas não deixa de ser, ainda assim, interessante verificar que um japonês quer ser o melhor naquilo que faz enquanto que um português concentra esforços na tentativa de angariação de um posto de trabalho.


Em suma, se o problema for de facto cultural, de pouco valerá remendar as finanças. Daqui por uns anos regressamos ao mesmo. Também não me parece, sinceramente, que valha a pena o esforço de enviar Seguro ao Japão em estágio. Se o futuro de Portugal passar por ali, então não será futuro, mas sim mais passado.

Creio que se conseguíssemos parar de ser corruptos, se deixássemos de jeitinhos e cunhas à desgarrada e tivéssemos mais disciplina e meritocracia naquilo que fazemos, dávamos um passo gigante rumo ao sucesso. Afinal de contas, nós já aderimos só sushi. É só continuar a aproveitar o que de bom existe lá fora e copiar apenas os exemplos certos.

 

BdR


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